Você Tem Fome de Quê? E o Seu Bebê?

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Você tem Fome de Quê? E o seu bebê?

Amamentação é assunto que rende pano pra manga, eu sei! Mas ainda há muito o que se discutir sobre isso. Hoje quero falar sobre a importância de reconhecer os motivos do choro do bebê e a influência que a relação mãe e bebê tem sobre os registros alimentares e emocionais que o bebê vai levar para toda a vida. Você conhece o termo “Amamentação em Livre Demanda”? E o termo “autorregulação”? Sim? Não? Então vem comigo e vamos olhar essa história com carinho!

Foto: Nikolay Osmachko, Pexels.

Por que a amamentação é tão importante?

Imagina só, o bebê passa os primeiros meses de vida quentinho, confortável e protegido dentro da barriga, sendo nutrido 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem que sequer conheça a sensação de precisar de qualquer coisa, que dirá de alimento.

Pois bem! Agora aqui do lado de fora, sem cordão umbilical e sem placenta, e com uma novidade: a fome, o bebê precisa continuar sendo nutrido como antes, precisa receber o mais rico alimento para que continue se desenvolvendo de forma saudável!

Amamentação é a base da Vida, Ministério da Saúde, 2018.

O ministério da saúde lançou, este ano, uma nova campanha que traz informações sobre a importância da amamentação exclusiva durante os 6 primeiros meses, e que dure pelo menos pelos 2 primeiros anos da criança. Como destaque dos benefícios para o bebê podemos citar o aumento da imunidade, a prevenção de diversas doenças que podem surgir na vida adulta, como por exemplo, a diabetes, a hipertensão, a obesidade, entre outras. Além disso, exercita os músculos da face e serve como treinamento para a respiração correta do bebê.

Como benefícios para a mãe, segundo o ministério da saúde, podemos destacar um emagrecimento mais rápido, a prevenção de câncer de mama e de útero e a diminuição do risco de hemorragia no pós-parto.

Mas então os benefícios são só físicos?

Nada disso! Muito pelo contrário! Tem todas as questões emocionais que envolvem a amamentação. Lembra quando eu falei sobre a necessidade do bebê ser nutrido para o seu melhor desenvolvimento? Então, essa nutrição não é apenas física, mas também, e não menos importante, essa nutrição é emocional.

Arquivo Pessoal: Yndianara e Henry.

Emocional sim! Enquanto estava na barriga o bebê se sentia confortável, protegido, amparado e para que essas sensações se perpetuem, agora do lado de fora, a amamentação é a melhor forma de vincular mãe e bebê. É através do peito, como era antes através do cordão, que o bebê vai receber todos os nutrientes que precisa. E é também através do peito que que ele vai poder compreender que mesmo do lado de fora, ainda há carinho, afeto, proteção e oferta. 

A amamentação também possibilita ao bebê começar a reconhecer o outro e aos poucos ir se percebendo como um ser diferenciado da mãe e isso é importante para que ele passe a se observar e se perceber melhor. E aqui chegamos a autorregulação que é o aspecto psíquico e biológico que nos permite sermos autônomos e tomar decisões por conta própria.

Essa capacidade começa a ser desenvolvida durante a amamentação, enquanto o bebê vai devagar se percebendo, entendendo suas próprias sensações e respondendo a elas, cada vez mais de forma consciente.

É peito o tempo todo Sim!

Ou quase isso. Amamentação em livre demanda é o ato de dar o peito ao bebê sempre que ele tiver fome e/ou sempre que a mãe quiser. Claro  que a necessidade alimentar do bebê é prioridade, mas agora mãe e bebê começam a se conhecer mais profundamente e isso inclui os ritmos e os limites de cada um.

Dentre as novidades a serem conhecidas, depois de algum tempo nesta nova fase, a mãe começa a identificar o choro do bebê. Esse choro é de fome? Ou será cólica? Pode estar com algum outro desconforto? É fralda molhada?

E o que isso tudo tem a ver com a amamentação?

Tudo! É muito comum, que no começo desta relação, nos primeiros dias, semanas, ou até mesmo no primeiros meses de vida, a mãe ofereça o peito cada vez que o bebê chora. E tudo bem! Também faz parte deste processo. Acontece que quanto mais vocês se conhecem mais fácil fica de identificar se o choro do bebê realmente é de fome. Essa identificação permite que a mãe auxilie o bebê no desenvolvimento da sua autorregulação, pois assim não precisará alimentar o bebê a cada choro. No entanto, é importante que o bebê seja alimentado sempre que sentir fome ou sede.

A fome de afeto da mãe e do bebê

Mas o que será que acontece se a oferta do peito continuar toda vez que o bebê chorar? Se o bebê for amamentado quando tiver frio, dor, ou ainda mais velho, quando estiver triste ou cansado, o que pode acontecer no futuro?

Arquivo Pessoal: Jéssica e Noah.

Acontecerá que a criança passará a ter não apenas fome, mas também o desejo pelo alimento que alivia suas angústias. E a vivência deste tipo de alimentação criará um modelo  psíquico de resposta que poderá ser revivido durante toda a vida, podendo culminar numa alimentação compulsiva quando mais velho, quando irá comer para disfarçar angústias e sanar a fome emocional e não para nutrir-se ou saciar a fome física.

Amor e Respeito em primeiro lugar

Com toda a certeza a amamentação possibilita a manutenção e o fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê, bem como enormes benefícios físicos e emocionais.

É importante ressaltar que a alimentação em livre demanda é parte essencial  do desenvolvimento do mecanismo de autorregulação do apetite do bebê, por exemplo. É podendo se alimentar sempre que quiser que ele compreende quando realmente está com fome e leva também esta compreensão para o futuro. Sabendo distinguir a fome física da fome emocional e tendo maior controle sobre sua alimentação e maior qualidade na forma como se relaciona com comida.

A linha entre o que é necessidade e o que é desejo é mesmo bastante tênue, mas como uma boa dupla, aos poucos, com a convivência entre vocês será cada vez mais fácil compreender qual momento é qual. É sempre bom lembrar que o amor e respeito aos ritmos e limites de vocês é o que vai garantir o sucesso dessa empreitada.

Como tem sido a amamentação para você? Tem alguma dúvida? Alguma história para contar? Deixa aqui nos comentários!

Um Abraço,

Gabriela Galvão

Quer se aprofundar em algum assunto que viu no texto? Mais informações nas referências que eu usei pra escrever, aqui:

Aleitamento Materno  http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-crianca/aleitamento-materno

Campanha Amamentação 2018 – Ministério da Saúde http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/julho/27/Campanha-de-Amamentacao.pdf

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/43891-ministerio-da-saude-lanca-nova-campanha-de-amamentacao

Obesidade – Um desafio Alexandre Kahtalian, no livro: Psicossomática Hoje. JJúlio de Mello FIlho.Porto Alegre, Artmed.

Promovendo o Aleitamento Materno http://www.redeblh.fiocruz.br/media/albam.pdf

Educação pela autonomia através da autorregulação http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-98432006000100005

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